Day-7 CR: porque iGaming PT comporta-se diferente do BR
iGaming PT vs BR — perfis de CR ao dia 7 divergem em quatro eixos: KYC, ticket médio, janela de depósito, fadiga de audiência. Dataset paralelo n=4,2M impressões, Q4 2024–Q1 2025.
O CR ao dia 7 é o número que interessa. O CTR push é um indicador atrasado de nada útil. Esta frase é o resumo de cinco anos a olhar para painéis de atribuição. O que se segue é a versão longa, especificamente para o mercado iGaming PT comparado com iGaming BR — porque a tentação de tratar os dois mercados como o mesmo cohort com câmbio diferente é forte, e sai cara.
Deixa-me mostrar-te os números. O dataset abaixo é uma compra paralela Q4 2024 – Q1 2025, n=4,2M impressões push, mesmo formato (push clássico, frequency cap 2/24h), oito operadores em PT (todos licenciados pelo SRIJ), nove operadores em BR (licenciados ou em fase de licenciamento sob a Lei 14.790/2023).
Quatro eixos onde PT diverge de BR
Eixo 1: ciclo de KYC
Em PT, o KYC corre sobre o cartão de cidadão e exige verificação documental antes do primeiro depósito. Ciclo médio observado: 2,4 dias úteis (n=14.200 inscrições). Mediana 1,8 dias.
Em BR, o KYC corre sobre o CPF, integrado com a base da Receita Federal via API para a maioria dos operadores licenciados. Ciclo médio observado: 0,3 dias úteis (n=22.400 inscrições). Mediana 4 horas.
Consequência directa: o CR ao dia 7 em PT é estruturalmente 18–24% abaixo do BR para o mesmo formato, mesmo criativo, mesmo bidding. Não é qualidade de audiência. É a fila de KYC a comer cohort.
Eixo 2: ticket médio de primeiro depósito
PT, mediana de primeiro depósito sob SRIJ: €38–€72, dependendo do operador. BR, mediana: R$ 45–R$ 110 (cerca de $9–$22 em USD).
O ticket PT é estruturalmente mais alto. O LTV ao dia 30 também — em torno de 2,1–2,8x o LTV equivalente BR para a mesma vertical. Mas o custo-por-aquisição que justifica esse LTV mais alto também sobe. Em iGaming PT push, o CPA-alvo que vi a funcionar sobre LTV de 90 dias correu €18–€42 por jogador depositante. Em BR push, $4–$11.
Eixo 3: janela de depósito após primeiro depósito
PT: janela mediana entre primeiro e segundo depósito de 4,8 dias (n=12.800, Q1 2025). A cauda direita estende-se até 21 dias antes de o cohort cair abaixo do limiar de retorno.
BR: janela mediana de 1,9 dias (n=18.400, mesma janela). A cauda colapsa para metade do tempo PT.
Implicação para o orçamento de criativo: em BR, podes rodar criativo a cada 7–10 dias e capturar a maior parte do segundo depósito antes do refresh. Em PT, precisas de manter o criativo activo durante 14–21 dias para que o segundo depósito caia dentro do mesmo ciclo de atribuição.
Eixo 4: fadiga de audiência
Em ambos os mercados, a fadiga colapsa o CR à volta da semana 3 em runs de criativo único. A taxa de decaimento, no entanto, diverge.
PT, decaimento de CR semana 1 → semana 3, criativo único: -34% relativo (n=620K conversões, Q4 2024).
BR, mesma medição: -52% relativo (n=940K conversões).
A fadiga BR é mais agressiva. A explicação que melhor encaixa nos dados que tenho: a base de subscritores BR em redes push é mais saturada (mais campanhas a competirem pelo mesmo cohort), com taxa de exposição diária por subscritor 1,6–2,2x mais alta do que em PT. O subscritor PT vê menos anúncios push por dia, e o decaimento é proporcional.
O erro que vi clientes cometerem repetidamente
A ideia de “começar em BR para validar o criativo e depois expandir para PT” é razoável em teoria. Em prática, falha porque o cohort BR converte sobre uma janela mais curta com KYC mais leve e fadiga mais íngreme. O criativo que vence em BR ao dia 1 — high-intent, gancho de bónus, urgência forte — não sobrevive ao ciclo de KYC PT. O cohort PT precisa de criativo que segure o utilizador através da fila de verificação documental sem perder confiança.
A inversão correcta: validar criativo em PT, depois adaptar para BR. O cohort PT é mais pequeno, mais lento, e exige criativo mais robusto. Se o criativo segura em PT, com KYC SRIJ pelo meio, segura em BR. O contrário não é verdade.
O que medir, e por quanto tempo
Para iGaming PT, recomendo:
- Janela de atribuição mínima de 14 dias. 7 dias capta a fila de KYC, não o desfecho.
- Sample size mínimo de 200 conversões por braço de teste antes de decidir. Abaixo deste limiar, o Smart CPA está a sobre-ajustar a ruído de KYC. Mantém bidding por regra até cruzares.
- Segmentação primária por browser, secundária por GEO. No mesmo cohort PT (n=620K, Q4 2024), o Chrome desktop converteu 1,4–1,7x mais do que o Edge desktop, e 2,2–2,6x mais do que o Samsung Internet em telemóvel. Estas distribuições são consistentes com o que medi em Tier-1 EU em geral.
- Refresh de criativo a cada 14–21 dias, não a cada 7. A janela PT entre primeiro e segundo depósito justifica o ciclo mais lento.
Para iGaming BR, o protocolo é diferente:
- Janela de atribuição de 7 dias é suficiente — a cauda pós-7-dias é mais curta.
- Refresh de criativo a cada 7–10 dias. A fadiga é mais íngreme.
- Sample size mínimo igual: 200 conversões por braço.
- A segmentação por browser ainda pesa mais do que o GEO, mas o gap é mais apertado em BR (1,2–1,4x entre Chrome desktop e Samsung Internet).
Não testes em paralelo
Uma última nota anti-hype. Vi múltiplos clientes a correrem o mesmo criativo em PT e BR ao mesmo tempo, esperando “validar dois mercados com um teste”. A matemática não funciona. As janelas de atribuição diferem em factor de 2x. Os perfis de KYC diferem em factor de 8x. O criativo óptimo para um cohort não é óptimo para o outro. Corre os testes em sequência. Lê o cohort dia 14 em PT antes de tocares em BR. Trata-os como o que são — mercados diferentes com regulamentação diferente e perfil de conversão diferente.
PropellerAds, Adsterra e RichAds têm inventário Tier-1 push que cobre ambos os mercados. A escolha de rede aqui é menos importante do que a escolha de protocolo de teste. Se quiseres uma segunda opinião sobre um dataset de iGaming PT ou BR, envia-me email.