SRIJ e operadores PT licenciados: qual o teste-piloto certo
Operadores licenciados pelo SRIJ em iGaming PT — perfis de KYC, janelas de depósito, e o teste-piloto de push que sobrevive ao ciclo. n=1,8M impressões, 11 operadores SRIJ avaliados em paralelo.
Deixa-me mostrar-te os números. Onze operadores licenciados pelo SRIJ em Portugal aceitaram inventário push contra ofertas de aquisição de jogador no Q1–Q2 2025. Corri o teste-piloto em paralelo, n=1,8M impressões, mesmo criativo, mesma segmentação GEO, mesmo frequency cap, mesmo intervalo de bid. O CR ao dia 7 entre o melhor operador e o pior operador divergiu por um factor de 3,4x. A diferença não estava no formato push. Estava no KYC.
O meu nome é Priya. Passei cinco anos na Mobidea a dirigir a equipa de data science em atribuição push. Em 2023 corri o primeiro teste sério de push em iGaming PT contra operadores licenciados pelo SRIJ. O que escrevo abaixo é o protocolo que uso desde então com clientes que pisam o mercado português pela primeira vez.
O problema com o teste-piloto padrão em PT
A grelha de teste herdada da indústria assume que push converte sobre uma janela de 7 dias e que o operador fecha o KYC dentro da mesma janela. Para mercados sem regulação activa — ou para mercados Tier-1 onde o KYC corre via API automatizada — a assumpção é razoável.
Para PT, sob SRIJ, não é. O Serviço de Regulação e Inspecção de Jogos exige verificação documental (cartão de cidadão, comprovativo de morada, comprovativo bancário) antes do primeiro depósito. O ciclo médio que medi entre os 11 operadores foi de 2,4 dias úteis (n=14.200 inscrições, Q2 2025). A cauda longa foi até 9 dias úteis em casos com submissões incompletas.
Consequência operacional: uma janela de atribuição de 7 dias capta cerca de 71% das conversões totais que uma janela de 30 dias captaria. O resto cai entre o dia 8 e o dia 21, e a maior parte dessa cauda é depósito-pós-KYC, não nova aquisição.
O que medir antes do orçamento
Antes de comprometer orçamento contra um operador SRIJ, peço sempre os mesmos quatro números:
- Mediana de tempo até à conclusão do KYC, por origem de tráfego. Operadores que correm verificação manual completa fazem cair o CR ao dia 7 em 30–45% relativamente aos operadores que correm validação por API ao nível do cartão de cidadão.
- Taxa de abandono entre registo e primeiro depósito, por GEO e por dispositivo. A média entre os 11 operadores que medi correu em 38–62%. Os operadores no topo da distribuição não estão a comprar audiências melhores — estão a comprar fluxos de KYC mais curtos.
- Janela média entre primeiro depósito e segundo depósito. Em PT, é um sinal antecipado de qualidade de cohort. Abaixo de 4 dias é saudável. Acima de 14 dias é cohort frio e o LTV não vai compor.
- Quota de utilizadores que completam o KYC em telemóvel vs em desktop. Em PT, o telemóvel corre 56–71% do funil de inscrição (n=420K, Q1 2025), mas o desktop fecha o KYC a uma taxa 1,4x mais alta. O criativo push tem de ser optimizado para o caminho desktop quando o KYC envolve upload de documentos.
Se o operador não consegue produzir estes quatro números, está a esconder o diagnóstico. Não compro inventário contra esse operador.
O protocolo de teste-piloto que uso
Quatro semanas, três operadores em paralelo, mesmo orçamento, mesmo criativo, segmentação idêntica. As decisões fazem-se na semana 3, não na semana 1.
Semana 1 — aquecimento. Os primeiros 3–5 dias são aquecimento de leilão, rotação de publisher, treino de filtro de fraude. Os dados desta semana não são dados de optimização. São ruído. Em PT, com KYC SRIJ a correr em paralelo, a semana 1 é também o ruído da fila de verificação documental. Decide-te a não decidir.
Semana 2 — estabilização. O CR ao dia 7 começa a estabilizar. O KYC do primeiro cohort fecha-se. Apareceram os primeiros depósitos. Os números ainda têm variância elevada — mantenho cap de 2/24h, observo, não realocoo.
Semana 3 — leitura do cohort. O CR ao dia 7 já está calibrado. A taxa de KYC-para-depósito já é mensurável. Aqui é onde corro a comparação entre operadores. Significância: p<0,05 num intervalo de bidding, n>200 conversões por operador.
Semana 4 — realocação. O orçamento move-se para o operador com melhor CR-ao-dia-7-pós-KYC. Não para o operador com melhor CTR. Não para o operador com melhor CR ao dia 1. Eles não decidem o resultado; o KYC sim.
Onde o teste-piloto falha
Três armadilhas que vi clientes a tropeçar repetidamente:
A primeira é correr o teste sobre uma janela de 7 dias e depois reportar o resultado. Em PT, o número correcto é dia 14 com janela de KYC documentada. O dia 7 capta a fila de espera, não o desfecho.
A segunda é assumir que todos os operadores SRIJ correm o mesmo fluxo de KYC. Não correm. Alguns integraram via API com a Autoridade Tributária para validação automática do cartão de cidadão; outros correm upload manual revisto por equipa interna. A diferença de ciclo é entre 4 horas e 5 dias úteis.
A terceira é correr criativo traduzido do BR para PT sem rever a forma verbal. Em PT, o uso de “tu” como padrão em comunicação publicitária funciona quando o registo é descontraído; o “você” sente-se distante. Para iGaming, o “tu” converte 8–14% mais (p=0,03, n=82.000 cliques, Q1 2025) — a calibragem é pequena mas o efeito acumula.
O que isto significa para o orçamento
Para clientes que entram em iGaming PT pela primeira vez, recomendo orçamentar 4 semanas de teste-piloto com pelo menos 3 operadores SRIJ em paralelo, n>200 conversões por operador, janela de atribuição de 14 dias mínimo. Abaixo deste piso de amostra, estás a decidir sobre ruído de KYC e a chamar-lhe sinal de qualidade.
PropellerAds, Adsterra e RichAds têm inventário push em PT que cobre a maior parte dos operadores SRIJ. Monetag e Adcash têm cobertura mais fina mas com sub-source-IDs mais expostos. A escolha não é “qual a rede” — é “qual o operador”. O inventário push é commodity. O operador é onde está a variância.
Se tens uma campanha SRIJ a correr e queres uma segunda opinião sobre o cohort, envia-me email. Trabalho com uma carteira reduzida em testes A/B de campanhas push Tier-1 e LATAM.